- Nesta cidade enervada,
- envenenada, enlatada, endeusada
- enluarada, ensolarada, decantada,
- azul-esverdeada encontram-se
- nos cantos das calçadas
- instalações nada efêmeras
- de crianças, mulheres e homens
- embrulhados em misérias.
- Que triste performance da
- arte contemporânea brasileira!
- Nesta cidade paisagem, viagem
- o esgoto regurgita nas calçadas,
- areias e nas cadeias marinhas.
- Já nem é mais doce morrer no mar.
- O mar é salgado e os homens azedos.
- Nesta cidade famosa, garbosa, gostosa
- calamitosa, ditosa, brilham sóis de dor.
- Copacabana, pobrezita
- brilha noite e dia
- como um brinco de riqueza
- num empório de pobreza.
- Já não dorme limpinha,
- no escurinho de suas belezas.
- Nesta cidade adorada, saqueada,
- abandonada, abalada
- resta o design de Deus,
- o estrago dos homens,
- a imaginação dos visionários
- e povo a expulsar
- estes políticos salafrários.
- Que cenário!
Arte digital&escrita
Clarice Linden