Terceiro Imundo

  • O apito da fábrica me chama
  • para mais uma jornada de trabalho,
  • sem perguntas, apenas juntas e comiseração.
  • Um rato saltita na sarjeta.
  • Gretas de águas podres pelo caminho.
  • Sozinho eu ando tropeçando nas baratas.
  • O nojo sai dos esgotos, abre as portas
  • do Terceiro Imundo mostra os cômodos nas calçadas,
  • entra pelo satélite e passa pela televisão
  • o que a ninguém comove.
  • Nove para as sete, bafo.
  • Frustração – miseração – alienação.
  • Rotação instantânea nos bares, maltratando lares,
  • ocupando armários desertos, geladeiras desabitadas,
  • invadindo meu coração abarrotado que deita na cama
  • e sonha com desejos guarnecidas de rosas
  • que serão esquecidos nos primeiros rumores
  • do amanhecer quando o apito da fábrica
  • me chamar para mais um dia.
  • Fabricando agonia.

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