- Este vento, que entre brumas da tarde sibila,
- traz vozes de professores em piquete.
- Bravas vozes brasileiras,
- sussurradas em imensas canseiras.
- E tu me falas em justiça?
- A justiça da voz do coração
- é a oração que quero ouvir.
- Vejo-a espalhada por labirintos,
- em ruas esburacadas, sem iluminação.
- Dividindo-se em arengas,
- capengas, cansadas de se debater
- diante de vãs interrogações.
- O desejo bombeia o coração
- e o vento bate no mar, num eterno encantar.
- Novamente o protesto dos professores glissando com o vento.
- Entre o céu e os homens há uma tristeza incalculável,
- há uma voz insuportável,
- e um monstro incansável,
- cuspindo fogo em nossos lares.