- O apito da fábrica me chama
- para mais uma jornada de trabalho,
- sem perguntas, apenas juntas e comiseração.
- Um rato saltita na sarjeta.
- Gretas de águas podres pelo caminho.
- Sozinho eu ando tropeçando nas baratas.
- O nojo sai dos esgotos, abre as portas
- do Terceiro Imundo mostra os cômodos nas calçadas,
- entra pelo satélite e passa pela televisão
- o que a ninguém comove.
- Nove para as sete, bafo.
- Frustração – miseração – alienação.
- Rotação instantânea nos bares, maltratando lares,
- ocupando armários desertos, geladeiras desabitadas,
- invadindo meu coração abarrotado que deita na cama
- e sonha com desejos guarnecidas de rosas
- que serão esquecidos nos primeiros rumores
- do amanhecer quando o apito da fábrica
- me chamar para mais um dia.
- Fabricando agonia.
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- Arte digital&escrita
- Clarice Linden | veja também https://wordpress.com/view/poemasinsighs.wordpress.comveja ainda https://wordpress.com/view/asfloresdoocio.wordpress.com