Marola de Jesuar

  • São Sebastião
  • desde que caí
  • nos teus braços
  • nunca mais sai.
  • ……………………….
  • São Sebastião,
  • padroeiro do Rio de Janeiro
  • rimas á parte
  • se há um lugar
  • que eu nunca caí, nem sai
  • é do coração de Jesus.
  • ………………………………….
  • Sou de Jesus,
  • só, em Jesus
  • e quem o tem por inteiro
  • não carece de padroeiro.
  • São Sebastião
  • padroeiro deste celeiro,
  • neste avarandado
  • meu coração estendeu sua rede
  • e deita e rola.
  • – Marola de Jesuar.

O desconforto de um século

  • 15 minutos de uma eternidade
  • invadem minha ociosidade.
  • Arranha-céus.
  • A cada segundo, o desconforto
  • de um século.

Real pequeneza

  • Ó homens do esquecimento
  • dormindo ao relento
  • na Voluntários da Pátria,
  • na Real Grandeza,
  • em toda esta tristeza
  • de uma real pequeneza,
  • de uma pátria sem voluntários.
  • – Quem por vós fará alianças?
  • – Quem por vós fará governança?
  • As baratas e as ratazanas.
  • As baratas e as ratazanas.

Rua Voluntários da Pátria, Rua Real Grandeza

  • …………………………………………………………………………………………………………
  • Arte digital&escrita
  • Clarice Linden |

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Santa Teresa de Ávila – a mística

  • Sou de Jesus
  • vim de Jesus
  • escolhi Jesus
  • ouço Jesus
  • sigo Jesus
  • apesar de meu
  • castelo interior
  • viver cheio de pus
  • sou de Jesus
  • desde e sempre
  • Terezinha de Jesus

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  • Dias em oração,
  • noites em adoração.
  • Meses em meditação,
  • anos para a levitação.
  • Vida para Deus,
  • morte para o encontro divino.
  • Tereza de Jesus,
  • Santa Teresa de Ávila.
  • Esposa do Senhor,
  • alumbrada mística
  • Ordem das Carmelitas Descalças
  • calçadas na Ordem Só Deus basta.
  • “Basta uma só palavra e serás salvo.”
  • Não é verdade.
  • Só quem muito arde e em Deus eremita
  • o Senhor crepita.
  • Jesus, Jesus, me abrasa.

Castelo Interior – a Santa Teresa

  • Santa Teresa de Jesus
  • também sou de Jesus
  • mas no meu Castelo Interior
  • há tanto tumor
  • que mal escuto
  • meu cântico salvador.
  • Vou de aposento em aposento
  • a procura do entendimento,
  • mas só dou com euzentos,
  • brigando entre os meus e os ateus.
  • São tantos eus dificultando a subida
  • que nem vislumbro, existem
  • aposentos mais altos dentro de mim?

  • Senão consigo entrar todos os aposentos do meu castelo,
  • como poderei entrar no Castelo do Senhor?

Terceiro Imundo

  • O apito da fábrica me chama
  • para mais uma jornada de trabalho,
  • sem perguntas, apenas juntas e comiseração.
  • Um rato saltita na sarjeta.
  • Gretas de águas podres pelo caminho.
  • Sozinho eu ando tropeçando nas baratas.
  • O nojo sai dos esgotos, abre as portas
  • do Terceiro Imundo mostra os cômodos nas calçadas,
  • entra pelo satélite e passa pela televisão
  • o que a ninguém comove.
  • Nove para as sete, bafo.
  • Frustração – miseração – alienação.
  • Rotação instantânea nos bares, maltratando lares,
  • ocupando armários desertos, geladeiras desabitadas,
  • invadindo meu coração abarrotado que deita na cama
  • e sonha com desejos guarnecidas de rosas
  • que serão esquecidos nos primeiros rumores
  • do amanhecer quando o apito da fábrica
  • me chamar para mais um dia.
  • Fabricando agonia.

Ilusão mediterrânea

  • O amor azulou meu ego
  • e disse: Viu como te pego?
  • Contou até três e
  • já era uma ilusão mediterrânea,
  • riu e falou: Viu como te cego?
  • Deu alguns passos á frente,
  • olhou para trás e explanou: Viu como te nego?
  • E bateu retirada.
  • De amor tinha nada!