- Sobre as ondas,
- eu vivo a navegar, calar e contemplar
- as cálidas manhãs que nascem agora.
- O anoitecer a colorir os sentidos e a enseada, amorosa, a dizer-me:
- – Bom dia, boa noite, estou aqui novamente, sou as águas de março.
Destino
- Papai do céu
- meu destino
- é o escarcéu
- eu sou da
- América do Cool
- e meu destino
- é andar ao léu
- cantando a
- América do Sul.
A tormenta
- Ainda ontem eu sussurrava
- meus poemas em teus ouvidos
- e hoje sou a suspeita
- que atormenta tua cabeça.
- …………………………………………..
Anjos da guarda precoces
- Os poemas espiam detrás do Pão de Açúcar.
- Brincam de esconde com o sol.
- Vestem-se de nuvens.
- E dançam ao sabor dos ventos.
- Poemas são anjos da guarda precoces.
Da trinca ao quinhão
- Criança que não brinca,
- trinca.
- Fica presa
- na roda gigante da perturbação.
- – Se for esperta, a trinca vira quinhão.
Perolada
- Ser, viver entre a enseada e a madrugada.
- Em um jardim de palavras,
- entre brumas de frases,
- de blau em blau,
- divagando com os marinheiros
- lá no fundo do bar.
- Ser, viver perolada.
- Pero nada.
Luz eterna
- Quando as luzes
- se apagarem
- não procure uma vela
- ………………………….
- Sejas tu a vela.
Um dia a cada degola
- Viver apenas o aqui e o agora,
- um dia a cada degola, não vigora.
- Cada dia de uma vez, perde-se a tez.
- Não dá para sonhar, sonhar é futuro.
- Não dá para “nostalgiar” é nostalgia é passado.
- A vida vira aquele pato assado, que você tem de matar,
- limpar, temperar e assar todo dia.
- Uma agonia.
Em busca do templo perdido
- Nestes dias azuis, eu caminho com uma luz.
- Cruz de topázio envergando o peito.
- A enseada está repleta de diamantes.
- O amanhecer cintila, o pleito anuncia-se,
- de blau em blau, de blue em blue,
- magnificamente azuláceo, tu dizes:
- – Contigo não quero mais ser feliz.
Inverno na psiquê
- Quanto tédio, neste assédio,
- neste rosto médio,
- nesta média que faz crochê.
- Nestes olhos cor de chocolate.
- Nesta boca de alicate.
- Neste embate silencioso,
- eu de bambolê e você frio de doer.
- Sonhos escarlates, estandartes e outros disparates
- me atém numa esfera glacial.
- Inverno na psiquê.