Data venia! Vou embora para Jurubatiba

  • Vou embora para Jurubatiba
  • vou ouvir o sabiá da praia.
  • Vou mergulhar no Atoleiro,
  • renascer na águas da Cabiúnas,
  • brincar nas águas das Garças,
  • me refestelar no Piripiri
  • e depois beber nas águas de um brejo doce.
  • Só não quero encontrar por lá o ratinho-goytacá,.
  • Vou embora para Jurubatiba
  • vou ver os papagaios chauás,
  • os maçaricos, corujas-buraqueiras,
  • jaçanãs e o martim-pescador.
  • Só não quero encontrar por lá o jacaré do papo amarelo,
  • nem a  jiboia. Mas adoraria, ver passar, um cágado do brejo.
  • Vou embora para o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba,
  • de Carapebus a Quissama serei irmã.
  • Vou almoçar pratos de “imperiais”,
  • comer acará, bagres, carapeba, robalo
  • e quando acabar o dia
  • danço um jongo de terreiro,
  • ao redor de uma fogueira,
  • no Quilombo da Machadinha.
  • Onde tem uma comidinha angolana
  • que dá uma Jurubatibana
  • de dormir nas raízes do “baobá “.
  • Só não quero ter que ir até Macaé.
  • Vou embora para lagoa Preta de Jurubatiba
  • vou pegar um barco e percorrer o “Canal Campus Macaé”.
  • Onde escorreu pouca cana, para 30 anos de “trabalho forçados”.
  • E cuja alcunha, esqueceu dos escravos. Mas logrou tarja-preta na Lagoa.
  • Vou andar pelas águas e assistir o império dos pássaros.
  • Só não quero ouvir por lá as marrecas, gosto do silêncio dos gaviões.
  • Vou embora para a Restinga de Jurubatiba,
  • vou tomar umas cachaças na gaviões,
  • onde Haroldo produz a Sete Engenhos, com sorte,
  • a cantina da dona Carmen Queirós estará aberta,
  • e eu prove a nata do seu pastel.
  • Vou embora, só quero ver por lá, os amores que por cá deixei.
  • E nunca, nunca quero ver o ratinho-goytacá .
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Arte digital&escrita

Clarice Linden