- Nos braços do amanhecer,
- vestindo puro algodão,
- penas de ganso
- e tímida perfumaria,
- o travesseiro,
- sonhava que era galã
- e sorria!
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O caminho do bem-te-vi
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Uma radiografia psicológica com pretensões poéticas.

No fundo do carma
- Onde estão os ouvidos atentos?
- – No ego, tropeçando em outros legos.
Coração de estudante
- Ora direis ouvir poemas!
- Certo perdestes o senso.
- Eu vos direi que para ouvi-los,
- passo páginas em branco e
- beijo os lábios do espanto!
Águas de março
- Sobre as ondas,
- eu vivo a navegar, calar e contemplar
- as cálidas manhãs que nascem agora.
- O anoitecer a colorir os sentidos e a enseada, amorosa, a dizer-me:
- – Bom dia, boa noite, estou aqui novamente, sou as águas de março.
Destino
- Papai do céu
- meu destino
- é o escarcéu
- eu sou da
- América do Cool
- e meu destino
- é andar ao léu
- cantando a
- América do Sul.
A tormenta
- Ainda ontem eu sussurrava
- meus poemas em teus ouvidos
- e hoje sou a suspeita
- que atormenta tua cabeça.
- …………………………………………..
Anjos da guarda precoces
- Os poemas espiam detrás do Pão de Açúcar.
- Brincam de esconde com o sol.
- Vestem-se de nuvens.
- E dançam ao sabor dos ventos.
- Poemas são anjos da guarda precoces.
Da trinca ao quinhão
- Criança que não brinca,
- trinca.
- Fica presa
- na roda gigante da perturbação.
- – Se for esperta, a trinca vira quinhão.
Perolada
- Ser, viver entre a enseada e a madrugada.
- Em um jardim de palavras,
- entre brumas de frases,
- de blau em blau,
- divagando com os marinheiros
- lá no fundo do bar.
- Ser, viver perolada.
- Pero nada.