Cachaça necessária

  • A ilusão tem boa índole
  • deseja ardentemente
  • tornar-se realidade.
  • É uma cachaça necessária,
  • se bem dosada
  • pode impulsionar vitórias
  • e, ou, como queira, poemas.
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  • A glória é quando a ilusão passa,
  • mas deixa os olhos sorrindo.
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  • – Mesmo que fora mentindo.

Paga meia?

  • Meus fantasmas internos,
  • minhas vontades inferiores,
  • minhas cavernas infernais,
  • meus mimimis, chega de pitis!
  • Acabou seus vis!
  • Este verniz melancotico não é eterno.
  • Eterno sou eu, uma partícula ardorosa,
  • feita para evoluir calmamente
  • e multiplicar-se amorosamente
  • na pandemia ou na alegria, ou na letargia.
  • Quem vê a luz do sol, ama a noite estrelada,
  • pega uma lua cheia, mas não paga meia.
  • Trevas, cavernas abissais?
  • Acabou seus vis!
  • Eu sou a luz. Nunca mais.

Legado

  • Nasci de um parto suicida,
  • de uma mãe que morreu para me dar a luz
  • e hoje esbanja insights dentro de mim.
  • Sou filha da poesia.
  • Que coitada!
  • Que amada!
  • De herança deixou-me apenas ondas de emoções
  • que quebram nas praias
  • carregando solitárias
  • a alma amada de minha mãe-poesia.

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Arte digital&escrita

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Cantorinha

  • Perdi a capacidade de barrocar,
  • de bordar poemas no infinito,
  • de debicar verbos, namorar frases,
  • minha amorosidade com as palavras sucumbiu a era do não.
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  • O pensamento não pensaventa, nem benta,
  • se ajumenta, empaca, isento de musculatura.
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  • De tanto a sós, minha alma cantorinha perdeu a voz.
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  • Foram tantas cantorinhas e não fizeram um só verão.
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  • Minha caneta bic faz ic ic ic, ferina ironiza:
  • – Não apele para as rimas.