- A ilusão tem boa índole
- deseja ardentemente
- tornar-se realidade.
- É uma cachaça necessária,
- se bem dosada
- pode impulsionar vitórias
- e, ou, como queira, poemas.
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- A glória é quando a ilusão passa,
- mas deixa os olhos sorrindo.
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- – Mesmo que fora mentindo.
Sem categoria
Selvagem e urbana
- A natureza
- é uma gata assanhada,
- pura, arisca, selvagem
- e urbana.
Negacionismo
- Meu pai
- me modelou
- e agora, nega-se
- a apreciar
- sua obra de arte.
Paga meia?
- Meus fantasmas internos,
- minhas vontades inferiores,
- minhas cavernas infernais,
- meus mimimis, chega de pitis!
- Acabou seus vis!
- Este verniz melancotico não é eterno.
- Eterno sou eu, uma partícula ardorosa,
- feita para evoluir calmamente
- e multiplicar-se amorosamente
- na pandemia ou na alegria, ou na letargia.
- Quem vê a luz do sol, ama a noite estrelada,
- pega uma lua cheia, mas não paga meia.
- Trevas, cavernas abissais?
- Acabou seus vis!
- Eu sou a luz. Nunca mais.
Lantejoulas
- Um dia auspicioso como um namorado novo,
- delicioso como a intimidade.
- Depois de tanto tempo descascando cebolas,
- finalmente as lantejoulas.
Legado
- Nasci de um parto suicida,
- de uma mãe que morreu para me dar a luz
- e hoje esbanja insights dentro de mim.
- Sou filha da poesia.
- Que coitada!
- Que amada!
- De herança deixou-me apenas ondas de emoções
- que quebram nas praias
- carregando solitárias
- a alma amada de minha mãe-poesia.
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Arte digital&escrita
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Eu meus outros eus
- Fugir de mim mesma, é ter com as outras.
- Singulares, elas acobertam-se em todos olhares,
- tecendo bordados no infinito.
- Cada miragem do rosto é de uma
- e todas vislumbram nos espelhos.
- Brasileira – és tu – ó vida.
Motejos lacanianicos
- Colocou a mão na boca,
- para evitar que
- os beijos saíssem
- e voassem pela sala.
- Mas eles escaparam
- entre os medos
- e cheia de dedos,
- correu, abriu a janela,
- respirou fundo
- e soprou para que
- “eles” fossem beijar
- em outro lugar.
- Voltou-se para a sala,
- encontrou o interlocutor,
- corado, travado,
- lacaniando motejos.
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O paciente do ocaso
- Abriu as velas e navegou pelo ocaso
- como um paciente de morte insistente
- que tem uma melhora tímida
- e expõe no céu suas faces rubras
- até azular e sumir no infinito.
- O que tentou no dito,
- nem no sussurro,
- nem no escrito,
- nem no grito,
- no ímã, ou na anima.
- Foi embora no vermelho.
- Azulou, escureceu, cintilou
- e nunca mais quis voltar ao útero.
Cantorinha
- Perdi a capacidade de barrocar,
- de bordar poemas no infinito,
- de debicar verbos, namorar frases,
- minha amorosidade com as palavras sucumbiu a era do não.
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- O pensamento não pensaventa, nem benta,
- se ajumenta, empaca, isento de musculatura.
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- De tanto a sós, minha alma cantorinha perdeu a voz.
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- Foram tantas cantorinhas e não fizeram um só verão.
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- Minha caneta bic faz ic ic ic, ferina ironiza:
- – Não apele para as rimas.