- Nestes dias azuis, eu caminho com uma luz.
- Cruz de topázio envergando o peito.
- A enseada está repleta de diamantes.
- O amanhecer cintila, o pleito anuncia-se,
- de blau em blau, de blue em blue,
- magnificamente azuláceo, tu dizes:
- – Contigo não quero mais ser feliz.
Inverno na psiquê
- Quanto tédio, neste assédio,
- neste rosto médio,
- nesta média que faz crochê.
- Nestes olhos cor de chocolate.
- Nesta boca de alicate.
- Neste embate silencioso,
- eu de bambolê e você frio de doer.
- Sonhos escarlates, estandartes e outros disparates
- me atém numa esfera glacial.
- Inverno na psiquê.
Bebezinhos de felicidade
- Se a felicidade não é possível,
- as flores e os espetáculos solares são.
- Foca no que eles nos dão
- e bebezinhos de felicidade te alegrarão.
Ai meu Deus, que judiação
- Tecnocapitalismo Democrático Cristão
- Ai meu Deus, que palavrão!
- Se a vida te der a mão
- podes esperar, muitas pernas virão
- pra tropeçares no cão.
- Enquanto a reza corre solta,
- a presa toma um sacode e foge.
- Sobe o Corcovado para encontrar o sagrado,
- mas só encontra pequenos resquícios de imaginação.
- Apoético Bobético Tristão.
- Ai meu Deus, que judiação.
Cachaça necessária
- A ilusão tem boa índole
- deseja ardentemente
- tornar-se realidade.
- É uma cachaça necessária,
- se bem dosada
- pode impulsionar vitórias
- e, ou, como queira, poemas.
- …………………………………………………………..
- A glória é quando a ilusão passa,
- mas deixa os olhos sorrindo.
- ………………………………………………………
- – Mesmo que fora mentindo.
Selvagem e urbana
- A natureza
- é uma gata assanhada,
- pura, arisca, selvagem
- e urbana.
Negacionismo
- Meu pai
- me modelou
- e agora, nega-se
- a apreciar
- sua obra de arte.
Paga meia?
- Meus fantasmas internos,
- minhas vontades inferiores,
- minhas cavernas infernais,
- meus mimimis, chega de pitis!
- Acabou seus vis!
- Este verniz melancotico não é eterno.
- Eterno sou eu, uma partícula ardorosa,
- feita para evoluir calmamente
- e multiplicar-se amorosamente
- na pandemia ou na alegria, ou na letargia.
- Quem vê a luz do sol, ama a noite estrelada,
- pega uma lua cheia, mas não paga meia.
- Trevas, cavernas abissais?
- Acabou seus vis!
- Eu sou a luz. Nunca mais.
Lantejoulas
- Um dia auspicioso como um namorado novo,
- delicioso como a intimidade.
- Depois de tanto tempo descascando cebolas,
- finalmente as lantejoulas.
Legado
- Nasci de um parto suicida,
- de uma mãe que morreu para me dar a luz
- e hoje esbanja insights dentro de mim.
- Sou filha da poesia.
- Que coitada!
- Que amada!
- De herança deixou-me apenas ondas de emoções
- que quebram nas praias
- carregando solitárias
- a alma amada de minha mãe-poesia.
- ……………………………………………………………………………………………….
Arte digital&escrita
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